Desde pequena, escuto minha mãe dizer que devo conversar com meu Anjo da Guarda para mantê-lo sempre junto a mim. Como sou obediente, mas um tanto quanto indisciplinada, confesso, de vez em quando sigo seus conselhos. Por vezes, falei, pedi, chorei e lamentei com meu Anjo... mas Ele sempre permaneceu calado, imparcial.
Vamos combinar, que coisa chata isso! Ainda mais pra mim, um ser humano ansioso no sentido pleno da palavra, que já espera uma resposta antes mesmo de pensar em formular a pergunta. Eureka! Como eu, muitos de vocês também sonham em ver o anjo materializado e, por isso, começamos a atribuir aos terapeutas esse título de honra ao mérito. Até mesmo porque, na maioria das vezes, só confidenciamos nossos maiores e mais loucos segredos a essas duas categorias.
Como não faço terapia, por vezes clamei por um anjo... Só não sabia que Ele apareceria numa situação tão inusitada. Rio de Janeiro, Carnaval, a festa mais popular do país, em meio a 700 mil turistas - segundo estimativas do site Uol - e num momento em que a última coisa que pensamos é no dito cujo. E não é que aconteceu!
De forma previsível, Ele estava no alto, tudo bem que de carona no carrinho de um ambulante, e ao invés de branco, usava vermelho e preto. Achei estranho, mas reconsiderei já que estávamos numa festa pagã em terreno flamenguista. Ligeiramente embriagado, ao invés do perfume de flores do campo (sempre imaginei que esse fosse o cheiro dos anjos), exalava o aroma de cana de açúcar. Além disso, tive certa dificuldade para entender o que Ele falava, mas logo percebi que aquele som estava mais para o dialeto dos ‘Bebuns de Todos os Santos’ do que para um idioma celestial!
Incrédula, de imediato pensei que nem com anjo tinha sorte! Poucos minutos depois nos despedimos, mas como ‘sou brasileira e não desisto nunca’ aceitei continuar a conversa através da ‘Santa Internet’, de quem sou devota fervorosa. Perseverante, não deixei que minha fé fosse abalada, afinal até os anjos merecem tirar férias e trabalhar em sistema de jornada reduzida.
Quando voltei às Minas Gerais, eis que reencontrei meu Anjo, dessa vez sóbrio e falando português claro. Contrariando ordens superiores, Ele continua usando as cores profanas, principalmente aos domingos. Praticamente todos os dias, encontro com Ele em nosso ‘Divã Virtual’ para uma sessão ‘fala que eu te escuto (e agora respondo)’.
Em meios às improbabilidades mais improváveis, e não pensem que caí no pleonasmo, a cada conversa com o Anjo de Vermelho e Preto aumento minha certeza de que nada acontece por acaso.
Mônica,
ResponderExcluircompartilho convicta da sua certeza e te digo, por experiência, que anjo da guarda, quando surge em carne e osso, aparece assim amassado, cabeludo, ressaqueado, olhos vermelhos, uma imagem mesmo profana, talvez um disfarce para que apenas uma pessoa o reconheça...Beijo.
Lá vem a Mônica de novo...... e de novo... e de novo.... rsrs
ResponderExcluirotimo post prima...rsrsrs
ResponderExcluirsua cara esse anjo profano..rsrsrsrs
beijos
Parabéns pela forma da sua escrita. Reafirmo o quanto você é especial e me admira a cada dia que passa. Beijão linda!
ResponderExcluirSua flamenguista!
ResponderExcluirÉ amiga, nossos anjos da guarda estão nos lugares onde a gente menos espera...pera aí, por acaso seu anjo da guarda puxa o "S"?! Super beijoxxxxxxxxxxxxx (com "X", como assina meu amigo Alan, carioca da gema, residente em Ipanema, onde seu anjo da guarda aterrisou).
ResponderExcluirEu vi um anjo, porque eu o vi!!! hehehehehe!
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirTenho vários anjnhos da guarda.... uns moram no Paraíso, outro com Santa Teresa, uns habitam os céus de Brasília, alguns deles moram próximos a São Paulo, outros integram a Sagrada Família. Nessa festa celestial, Santa Efigênia não fica de fora. Também tenho um anjinho que mora no céu e que me vela sempre, eu tenho certeza.
ResponderExcluirSaudades, amiga. Amo você!!!